Desde muito jovem que o SIS me despertou interesse, por diversos motivos. Admito que passou pelos meus planos ( se está ainda, é segredo), toda a gente se deliciou a ver filmes do James Bond, todos brincaram e imaginaram como seria ser um agente secreto, nem que fosse por um dia ( ou cinco minutos)
Quando gosto muito de uma coisa, ou instituição, como gosto do SIS, custa-me a ver ideias erradas a serem gritadas sobre a mesma. Daí intervir, tento em conta, sempre, os meus conhecimentos e a legalidade inerente.
Pensei então…Porque não um remake do livro dos totós, direccionado para o SIS?
Ser do SIS é, ao contrário do que se pensa, algo possível.
Se fores uma pessoa inteligente, com disponibilidade, um passado limpo, uma boa formação, boa atitude e, sobretudo, capacidade de manter a boca fechada…és um potencial agente.
Recrutamento por convite é, e posso garantir que é, um mito.
Podem sugerir-te, dizendo: “Ouve lá, tu que falas dez línguas diferentes, não achas que serias uma boa adição para o SIS?”, mas nunca se entra por convite.
Privilegiam-se as pessoas com experiência profissional, raramente se entra no SIS mal se sai da faculdade, os currículos são vistos e revistos, exaustivamente. Nem todos têm resposta, todos têm validade de dois anos.
Se o candidato tiver a honra de ser chamado, pode esperar uma surpresa.
Um pequeno telefonema, uma localização, um pedido de documentos e…uma semana a fazer testes ( psicológicos, psicotécnicos, entrevistas ao inicio, entrevistas ao fim), será cansativo, será completo e, mais importante ainda, metade dos testes que fizeram não fará qualquer sentido nas vossas, inteligentes, cabecinhas.
Vão preencher folhas e folhas de questionários sobre vocês, onde estudaram, com quem estudaram, o que vos marcou, o que não vos marcou, que faziam os vossos pais nessas alturas, onde passaram férias, com quem, o que fizeram, como viajaram, quem conheceram, se mantiveram contacto com quem conheceram, se querem casar, se são casados, se querem filhos, se já tiveram casados, se já viveram juntos, se os vossos pais são casados, se não…porque é que não são. Que experiência profissional têm, que cargos públicos têm na família, que ambições, que conflitos…Estão a perceber o tipo?
TUDO, e quando digo TUDO é mesmo tudo, o que disserem vai ser investigado, se não vos excluir à partida. Vão falar com professores, com patrões, com familiares, com ex-namorados, com vizinhos, com a senhora onde vão comprar as revistas. Vão ser esmiuçados, qual estrela Pop.
Ao longo do processo, vão reparar que começam a faltar candidatos. É normal, é uma escolha.
Se forem escolhidos, receberão um contacto. Se não forem, ficarão à espera dele…
A formação
Serão formados em vários campos, desde direito, psicologia, “teatro”…entre outros, tudo o que se ensina numa polícia, será ensinado ali, com alguns extras, logicamente.
Aprende-se a ver sem ser visto, a seguir e não ser seguido. Aprende-se a ser, o que é suposto ser.
Aprendem, através de acções de campo, a contactar com as fontes de informação, a definir rotas, a vigiar. Aprendem a trabalhar em grupo, “Tu vigias o alvo, eu vigio-te a ti”.
O equipamento
Dependerá, como devem imaginar, do serviço, da missão.
Usam-se armas compactas, práticas e fieis, dou o exemplo das HK, das berettas.
Viaturas que se possam misturar no trânsito, não esperem porches, esperem antes citroen’s, fiat’s, opel’s, de várias cores. As motas serão, igualmente, vulgares.
A documentação será a adequada ao trabalho que se está a fazer, quando no campo podes não passar de uma “lenda“, uma personagem. Não esperem um crachá a dizer SIS.
A sede do SIS, para todos os fins, encontra-se no forte da Ameixoeira, em Lisboa.
Os agentes ganham, mais ou menos, o mesmo que um oficial ou um inspector da judiciária.
Não serão mais de 500 agentes, no momento em que vos escrevo, e nenhum se irá identificar.
Fui claro e conciso? Dúvidas, questões?
Passo à frente…vamos lá!



